tempos de paz

Tempos de Paz – cinema nacional

Tempos de Paz

Tempos de Paz é o teatro que chega ao cinema. O roteiro foi escrito por Bosco Brasil, que também foi quem escreveu a peça na qual o filme se baseia “Novas Diretrizes em Tempos de Paz”.

O filme pode ser um pouco estranho, pois a linguagem dele não é repensada para o cinema. Ou seja, vemos basicamente um teatro filmado, mas em cenários diferenciados. Isso significa que o filme não valha a pena? De forma alguma.

“Tempos de Paz” é – entre outras coisas – uma homenagem à profissão de ator. E a atuação – bem como o roteiro – são pontos altos dessa obra tão bonita do cinema nacional.

Enredo

No dia 18 de abril de 1945 o governo brasileiro determina a soltura dos presos políticos – os comunistas. A soltura se dá por ordem do presidente Getúlio Vargas por causa do final da 2ª Guerra Mundial.

Segismundo (Tony Ramos) é um ex-oficial da polícia política e teme que suas vítimas resolvam se vingar. Ele agora trabalha como chefe da seção de imigração na Alfândega do Rio de Janeiro. Em uma averiguação habitual, ele interroga Clausewitz (Dan Stulbach), um ex-ator polonês que, por recitar Carlos Drummond de Andrade, lhe foi enviado por um subalterno.

Para ficar no Brasil, Clausewitz precisa convencer Segismundo que não é nazista.

O poder da atuação

“Tempos de Paz” tem um roteiro com frases muito marcantes. Além disso, ele procura nos mostrar aspectos de profissões, da política e também da nossa vida.

Pode ser que ele se torne mais impactante agora, depois que nós passarmos por uma pandemia. Na obra, um ator se pergunta algo que – de tempos em tempos – todo artista se pergunta: “para que serve a arte no mundo?”.

É compreensível que não se saiba como fazer arte em um mundo pós Segunda Guerra. Da mesma forma que é difícil saber como é possível fazer arte nesse mundo pandêmico.

Por isso, muitas vezes Clausewitz diz que o Brasil “precisa de braços para a lavoura”. Mas será que nós precisamos só disso? Segundo Segismundo – personagem inculto e que só sabe cumprir ordens – o Brasil sempre precisa de alguma coisa.

E talvez, uma das coisas que o Brasil mais precise seja empatia. Essa palavra tão usada ultimamente, é apresentada nesse filme da forma mais educacional possível. Mostrando uma das grandes razões para que a arte continue a ser feita.

Pois, se um homem vindo da Polônia – um dos países que mais sofreu na época – não consegue comover com sua história de vida pós Segunda Guerra, pelo fato de que “isso foi lá na Europa”, um ator é capaz de comover um ser humano dentro de um teatro com uma história que nunca aconteceu.

Nesse caso, a comoção que pode vir a acontecer é gerada pela obra A vida é sonho” do dramaturgo espanhol Pedro Calderón de la Barca.

A importância do teatro para essa obra é tão grande que faz com que o perdão seja concedido até por quem aprendeu que “as mãos servem para salvar vidas e também acabar com elas”. Peço perdão por esse trecho talvez não compreendido, mas vocês vão entendê-lo depois que virem o filme.

Falando em atuação, o filme é marcado pela beleza delas. A obra conta com Louise Cardoso, Aílton Graça, Daniel Filho. Nos papéis centrais estão – maravilhosamente atuando – Dan Stulbach e Tony Ramos.

Quer assistir “Tempos de Paz”?

Tempos de Paz está disponível no Telecine Play e por esse link do YouTube.

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