Jantar com Beatriz – um filme incômodo

Jantar com Beatriz é um filme dirigido por Miguel Arteta. O roteiro é de Mile White e é um filme que incomoda. Pelo menos, ele me incomodou. Me deixou desconfortável e, por isso, eu precisei pausar em alguns momentos.  O filme não tem cenas fortes, nem nudez, nada assim.

O que incomoda são os diálogos dilacerantes que mostram o que nós não queremos ver.

Esse filme ataca diretamente algumas feridas da nossa sociedade. Relações de amizade, de poder. Se alguém está falando algo que te incomoda, que na sua concepção é errado. O que você faz? Você fica em silencio pelo bem viver em sociedade? Você confronta o interlocutor?

Mas e se essa situação acontece em um ambiente fechado? Em um jantar, por exemplo. Qual o seu papel como anfitriã? E como convidada? Será que é válido destruir o clima da casa para expor opiniões contrárias? Tudo isso é apontado em Jantar com Beatriz.

Beatriz

Interpretada pela atriz Salma Hayek. Ela é uma terapeuta holística e atende na casa de Cathy – Connie Britton. Conhecida da família há muitos anos, o carro dela quebra na casa de Cathy que, por consideração e amizade, a convida para o jantar que será oferecido na casa dela.

Porém, nesse jantar só estarão presentes pessoas ricas. Tanto que os outros convidados acham que ela é uma das empregadas.

A verdade é que Beatriz foi convidada, mas não era querida. Por isso, ela é uma personagem que causa confusão no telespectador. Por sua história de vida, ela não é daquelas pessoas que aceitam tudo o que os outros falam.

Entretanto, por ser uma convidada na casa, ela pode ser considerada ingrata. Pois, por mais que os outros se incomodem, Cathy realmente queria que ela ficasse, ou pelo menos aparentava querer.

Jantar com Beatriz

Deixo registrada a minha opinião de que em alguns momentos o filme não se sustenta. Porém, o talento dos atores envolvidos na produção consegue segurar as pontas.

Mas o que eu acho mais curioso é que um filme demora muito para ser feito. Jantar com Beatriz foi lançado em 2017 e, portanto, seu roteiro foi escrito muito antes disso.

Ou seja, muito antes da eleição de Donald Trump. Como o filme trata de questões envolvendo poderosos americanos e uma mexicana, a história acabou ganhando um novo contexto histórico.

É engraçado, pois eu realmente não sei o que seria de Jantar com Beatriz se o Donald Trump não tivesse sido eleito. Ou se ele não fosse uma pessoa com um discurso anti imigração.

Aliás, ele poderia ter sido lançado antes, esquecido e depois da eleição ganhado um novo significado. Não sei. Mas o que aconteceu foi que ele foi lançado em plena era Trump e, por isso, sua carga artística se tornou diferente.

Engraçado como as coisas acontecem, não? Jantar com Beatriz está em cartaz na rede Telecine.

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